SIBO e endometriose: relação entre microbiota intestinal e inflamação pélvica

SIBO e endometriose: o que a ciência tem revelado

A endometriose é uma condição inflamatória crônica, frequentemente acompanhada de alterações intestinais e sintomas gastrointestinais como distensão abdominal, constipação e dor pélvica.

Com isso, nos últimos anos, estudos vêm sugerindo uma forte associação entre o supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO) e o supercrescimento metanogênico intestinal (IMO) com a endometriose, ampliando o olhar clínico sobre o manejo dessas pacientes.

Um estudo publicado em 2024 com 1.027 mulheres avaliadas por teste respiratório com lactulose (TBL) identificou que 91,9% das mulheres com endometriose apresentavam SIBO ou IMO, comparado a 83,1% no grupo controle — uma diferença estatisticamente significativa.
Além disso, mulheres com endometriose apresentaram maior prevalência de constipação, refluxo e trânsito intestinal alterado.

Por que SIBO e endometriose se relacionam?

O intestino e o sistema reprodutor feminino compartilham uma complexa rede de comunicação imunológica, nervosa e endócrina. Quando ocorre disbiose — isto é, um desequilíbrio da microbiota intestinal — há aumento da permeabilidade intestinal. Isso permite a passagem de substâncias inflamatórias, como o lipopolissacarídeo (LPS), que amplificam processos inflamatórios sistêmicos.

Consequentemente, essa inflamação pode ativar e sustentar focos endometrióticos. Além disso, a SIBO intensifica sintomas gastrointestinais, como inchaço, dor abdominal e constipação, os quais se sobrepõem frequentemente aos sintomas da endometriose intestinal.

O crescimento bacteriano anormal também altera a absorção de nutrientes e a metabolização de estrogênios, interferindo no equilíbrio hormonal e nos sintomas menstruais.

Portanto, as evidências indicam que a relação entre SIBO e endometriose é bidirecional. A endometriose pode predispor ao SIBO devido à inflamação e disfunção intestinal, enquanto o SIBO pode perpetuar o ciclo inflamatório e agravar sintomas pélvicos e digestivos.

 

Abordagem nutricional e terapêutica integrativa

Diante dessa conexão, a avaliação da saúde intestinal deve ser parte essencial do acompanhamento de mulheres com endometriose. A conduta nutricional busca reduzir a inflamação, modular a microbiota e restaurar a integridade intestinal. Entre as principais estratégias estão:

  • Alimentação anti-inflamatória, rica em fibras solúveis, fitoquímicos e antioxidantes;

  • Ajuste de carboidratos fermentáveis (FODMAPs), conforme a tolerância individual;

  • Suporte nutricional com zinco, glutamina e ômega 3, por meio de ajustes alimentares ou suplementação individualizada;

  • Probióticos e fitoterápicos moduladores, com ação antimicrobiana e restauradora da microbiota, avaliados caso a caso.

Quando há diagnóstico de SIBO ou IMO, o tratamento pode incluir estratégias dietéticas e farmacológicas específicas, sempre com acompanhamento de um profissional qualificado.

Compreender essa relação entre intestino e sistema reprodutivo é fundamental para melhorar o controle dos sintomas, otimizar o tratamento nutricional e promover qualidade de vida.

Se você convive com sintomas digestivos e ginecológicos persistentes, é importante investigar a saúde

Entre em contato para agendar sua consulta aqui.

Compartilhe esse conteúdo:

Mari Alfaro Nutricionista

Mariana Alfaro
Nutricionista

Nutricionista especializada em saúde intestinal e saúde da mulher. 

Minha missão é promover qualidade de vida, autonomia e leveza na rotina alimentar, sempre com escuta, ciência e empatia.

Confira outros conteúdos:

Rolar para cima